Minhas vidas alheias explora diferentes vicissitudes e brinda o leitor com uma galeria de figuras cujas características nos remetem as mais vis e também ternas ações humanas. Amorosos, desprezíveis, arrogantes, ingênuos, egoístas, desonestos ou retos de caráter, os personagens de Leila Jalul surgem como que para reforçar a ideia de Mallarmé: tudo, no mundo, existe para acabar num livro. Longe de oferecer conforto, os contos aqui reunidos são um convite à inquietação. A maior parte dos enredos é tecida a partir daquilo que há de mais verdadeiro no homem - suas escolhas. Mas há os que caminham no terreno do imponderável, desnudando fragilidades frente a situações que escapam ao controle ou à compreensão de seus personagens. As histórias apresentam temática variada, prevalecendo o tom característico dos contos popular, satírico ou anedótico. Em comum, a voz dos diferentes narradores que parece sussurrar em nossos ouvidos, estratégia que faz com que entremos na escritura de Leila Jalul com a inocência de quem acompanha um causo. Mas não se deixe enganar. Porque por mais familiar ou apaziguadora que lhe soe a voz do narrador, como em O Oleiro Galanteador - "A Via-láctea cintila sempre, tresloucado João. Converse com ela. Tens e sempre tiveste ouvidos e coração capazes de ouvir e entender estrelas" -, nada poderá salvá-lo da dor ou da solidão que emerge em muitos desses contos. Nem resgatá-lo das diferentes paisagens com seus sons e cheiros de terra, vaca, alecrim, poeira e asfalto. Mas, afinal, que leitor vai querer ser salvo da boa literatura?
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