Em fins de 2019, a poeta e cantora Patti Smith em turnê no Brasil realizou um encontro público no Sesc Pompeia, em São Paulo, no qual falou sobre suas paixões, inspirações e também de suas leituras. Era a primeira vez em que eu ouvia falar em Nona Fernández, uma das mais prestigiosas ficcionistas chilenas da atualidade, e em Space Invaders, agora traduzido pela Editora Moinhos. Movida pelo entusiasmo de Patti e pelo desejo de conhecer a obra de Fernández, não sosseguei até ter um exemplar dessa novela e fui surpreendida por uma narrativa não apenas inventiva e de grande refinamento estético, mas que agregando contundência e leveza (entendida aqui como o valor proposto por Ítalo Calvino em suas lições) fala das profundas marcas da ditadura de Pinochet ainda hoje e em como o ato violento é um petardo altamente destrutivo lançado em direção ao futuro. Alinhado a outras obras de ficção sobre a memória da ditadura, Space Invaders é uma história de afeto pessoal e de afecção política e trata do que há de residual e fragmentário na memória infantil, como um artefato de várias camadas ou um jogo, como o próprio título evoca, entre a objetividade e dureza do real e a subjetividade em fricção com o vivido, o imaginado, e o sonho. É com alegria que saúdo essa edição e a chegada de Nona Fernández para os leitores brasileiros. Micheliny Verunschk
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