Não sei quando comecei a entender que eu, eu também, era responsável. Responsável por causa da minha inércia, da minha indiferença, da minha posição confortável, que me faziam simplesmente pensar: "não posso fazer nada". A minha indignação não faria diferença. A minha repulsa não faria diferença. O meu grito não faria a diferença. Para demonstrar o meu descontentamento, só havia uma possibilidade: votar em branco. Não escolher ninguém, entre os candidatos que me apontavam e em quem eu não confiava. Eu era só parte do povo, e o povo não tinha vez nem voz. Eu costumava dizer: "o Brasil ainda é dos mesmos". E era. O Brasil era dos mesmos políticos, dos mesmos partidos, dos mesmos candidatos indicados pelos partidos, dos mesmos velhos raposos que ocupavam o galinheiro, digo, o poder. E, mais do que tudo, o Brasil pertencia à mesma força que era ainda não sei se um pouco menor - ou maior - do que a dos políticos: a mídia. Em especial a Rede Globo de Televisão, que deixei de assistir há décadas, depois das novelas e programas cheios de sexo e depravação e, acima de tudo, que demonstravam como era conivente com governos corruptos e que nos envergonhavam.
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